Dia 11 de Julho. Uma data qualquer, para qualquer pessoa. Uma viagem qualquer, para qualquer pessoa. Não para mim. Iria conhecer pessoalmente Hi, a menina mais retardada, inútil, linda e apaixonante do último mês. Digo do último mês por que não lembro de ter conhecido alguém tão interessante na minha vida inteira. Pode ser que sim, mas como não tenho certeza, digo que foi do último mês.
Não queria ir sozinho, não gosto de ficar sozinho. Provavelmente não teria coragem de encarar, sozinho, a solidão e a ansiedade até o momento de encontra-la. Acho que não teria coragem de encarar a cidade horrível também. Convenci, com uma espantosa facilidade, três pessoas muito 'especiais', como diz Juli: Aline, Manuel, Top.
Antes deixe-me falar um pouco dessas três almas fantásticas. Muito pouco, odeio descrever pessoas, resumi-las a palavras que se mostram sempre insuficientes. Os três são loucos. Lunáticos. Perguntei para eles, vamos para Feira de Santana? Puta que PARIU! Feira, que cidade horrível, pensei eu. Pensaram eles, também. Claro, na minha mente ninguém iria querer ir nessa loucura comigo. Uma viagem sem sentido (para eles) para um lugar horrível, mas quando os convidei a resposta foi idêntica:
- Vei, vamo pra Feira?
- Bora!
Essa é a beleza de ser louco. Agora sim, tinha certeza que Feira seria realmente especial.
Chegamos eu e Julianna na rodoviária por volta das 9:00, e já estavam todos lá. Aline, Manuel, Top. Não acreditei, que porra é essa, estamos REALMENTE indo para Feira de Santana simplesmente para eu ver uma menina. A menina. E como disse Top, "Patrick é o único cara que conheço que viaja pra conhecer uma menina e vai de galera". Como de costume, comprei duas cervejas, compramos as passagens, entramos no ônibus. Compramos mais duas cervejas no ônibus. Aline lendo Junky, Manuel... No mundo da lua? Top conversando com Aline. Eu bebia com Julianna, e quanto mais passava o tempo, mais eu sentia como tudo isso estava sendo fantástico demais para ser verdade.
Chegamos em Feira, eu já estava levemente bêbado. Na rodoviária, provavelmente comprei mais uma cerveja, e só então começamos a andar. Andar pra caralho, até o hotel que Top havia reservado antes da viagem. Estava cansado, carregava bastante peso, mas mesmo assim me sentia ótimo. Não conseguia me sentir mal, não via motivo para ligar pra cansaço, eu estava aonde eu queria, com as pessoas que eu queria, na hora que eu queria. Chegamos no hotel, o maravilhoso hotel Sertão, e começaram as piadas. VEI, ESTAMOS EM FEIRA. Todos ríamos, todos ríamos do absurdo que estávamos vivendo (menos Julianna, que é séria demais.) Deixamos nossas coisas, fomos para o shopping. O shopping, o único shopping, claro, de um único andar, o Iguatemi de Feira. O pessoal almoçava, eu, sempre saudável, bebia chopp, depois bebia mais chopp.
Pronto, havíamos conhecido tudo que se há de interessante para se ver em Feira: um shopping. E puta que pariu, estava na hora de voltar para o hotel. Liguei pra Raísa, ela estaria na rodoviária nos esperando. A ida até a rodoviária não vale a pena descrever, não sou capaz de dizer o que houve, pois não prestava atenção em nada ao meu redor e só imaginava o momento do encontro. Quando me dei conta, já estava na rodoviária, e eu a vi, pessoalmente, e ... Caralho. Não desgrudei do olhar dela. Acho que assustei a pobrezinha, tímida que só. Encarei ela no taxi até chegarmos no hotel. Não falamos muito, chegamos no quarto do hotel. Dialogamos retardadamente, coisas do tipo,
- oi moar.
- oi.. ehehehe
- hehehe
- hehehehe..
- heheheh.. tudo bem?
Eu ouvia varios gritos eufóricos de gente bêbada ao meu redor. Eu sentia a euforia tomar conta do meu corpo, como uma leve dose de um psicodélico, ou alguma porra muito espiritual do tipo. Estava maníaco e eufórico, sentado na cama com Hi, mas desconcentrado demais para falar algo que prestasse. Gritei, PORRA, GALERA, ALGUEM TÁ TENTANDO CRIAR UM CLIMA AQUI. Manuel, o mestre, entendeu. Jogou um cobertor em cima da gente.
Hi morria de vergonha, eu via nos olhos dela, mas não conseguia me controlar. Coisas futucavam minha alma, mexiam no meu cérebro, me transformavam, e eu não conseguia nem queria lutar contra isso. Era uma lavagem espiritual.
- Oi, Hi, hehe.. Minha boca tá ferida, ó.
Eu ri, ela riu.
- Porra Raísa, você não vai tomar a iniciativa não, caralho?
- Tome você.
- E como faz?
- Sei lá
- Eu te abraço?
Nos abraçamos, finalmente nos beijamos. Ahh, aí fodeu (não, fodeu literalmente não, porra é essa). Fodeu no sentido de, era a faísca que faltava para eu endoidar de vez nessa viagem maluca com um bando de gente maluca e muito álcool. Eu sufoquei a pobre da menina com meu excesso de euforia e descontrole. Foi tudo mais que o esperado. Foi mais do que eu conseguia suportar. E foi ótimo. Ela era tudo que eu esperava que ela fosse. Havia uma loucura moderada em cada cama do quarto, mas havia uma empatia eufórica e amorosa em uma das camas do quarto.
Não vou dar mais detalhes românticos, por que provavelmente Raísa vai ler isso e eu não quero passar a impressão do apaixonadinho cuti cuti cuti agora. Não aqui :). CHEGA DE GRUDE!
Ela teve que ir embora, o hotel iria cobrar mais uma hospedagem se ela ficasse no quarto. Chamamos um táxi, nos despedimos, e eu voltei flutuando para o quarto, fiquei vendo os meninos tocando Cansei de ser Cash e Rogério Barreto. Julianna bebia uma porra de um rum que fodeu com ela. Eu deitei, refleti, lembrei de tudo que havia se passado, e percebi há quanto tempo eu não me sentia tão... Leve. E feliz. Eram apenas 8 da noite. Crianças de nove anos dormem 9 horas (Thus spoke Manuel). Todos dormimos. Antes de dormir, lembrei de Queen:
I feel alive, and the world, i'll turn it inside out, yeah, I'm floating around... In ecstasy.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
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3 comentários:
vc precisava escrever isso.
Lindo. :)
VEI
BORA PRA FEIRA, VEI
cara, tá muito bom. E eu quero meu vídeo, viu? :-)
mexer com CH foi foda.
aline precisa escrever isso também
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